O que é Internet das Coisas e porquê você deveria começar a pensar a respeito

IoT ou Internet of Things ou ainda simplesmente Internet das Coisas em bom e velho português é sem dúvida um dos conceitos mais sensacionais dos últimos anos na computação e o seu brilhantismo se dá reforçadamente pelo fato de que quase ninguém consegue percebê-la (a IoT) ou explicá-lo (o conceito).

Antes de falarmos exatamente de IoT, vamos entender sobre esta “transparência” que se dá a respeito, ou ainda, Computação Ubíqua, como o termo cunhado pro Sr. Mark Weiser através do seu artigo “The Computer for the 21st Century“.

A computação ubíqua

A computação ubíqua é uma maneira de descrever a quase onipresença da computação em nossas vidas. Também tratada por alguns escritores como computação pervasiva explica a quantidade de vezes que interagimos com equipamentos computacionais sem nos darmos conta.

A computação móvel, a banda larga, a nanotecnologia, a engenharia, as linguagens de programação modernas e sobretudo a inteligência artificial tem nos permitido criar equipamentos computacionais que em grande parte dos casos substitui completamente a necessidade de interação humana.

Por várias vezes durante a nossa rotina diária estamos diante da interação humano-computador e não nos damos conta, ou pelo menos, não precisamos assumir uma postura diferente na interação daquela que teríamos ao interagirmos com seres humanos. Consoles de vídeo-game são poderosos computadores, atendimento de telemarketing, computadores de bordo em carros, sistemas de comércio eletrônico, sistemas de atendimento via chat, SAC (sistemas de atendimento ao consumidor) ou ouvidoria de grandes empresas, sistemas de segurança modernos, serviços prestados por bancos e demais instituições financeiras, se já não são totalmente automatizados, estão paulatinamente sendo substituídos completamente por sistemas computacionais inteligentes.

Estas mudanças, além de reduzir custos e aumentar a competitividade do ponto de vista da empresa, também garante um maior período de atendimento, além de maior rapidez e precisão no atendimento, uma vez que máquinas aprendem e podem prestar serviços a muito mais gente num período curto de tempo do que se compararmos a um ser humano.

Agora que temos uma boa introdução do que é a computação ubíqua, vamos voltar ao assunto original deste post, a Internet das Coisas.

A Internet das Coisas

Como vimos, através de tecnologias, métodos e metodologias estamos criando excelentes serviços prestados por computadores a nossa volta, de forma que não percebemos ou ignoramos sem ônus à experiência. Isso, aliado a evolução das redes de computadores permite um desenvolvimento de serviços e produtos até então sem precedentes.

Quando procuramos na internet sobre IoT, o exemplo que sempre vem a tona é da geladeira conectada que verifica a quantidade de produtos, data de validade e faz pesquisas na internet tentando criar uma lista de compras ideal para o ser humano que a utiliza. No entanto, na minha opinião, este exemplo não faz justiça às maravilhosas possibilidades que a IoT pode nos oferecer.

Saúde

Imagine que com dispositivos simples como computadores vestíveis, que medem nossa frequência cardíaca, hidratação, tempo e qualidade de sono, picos de insulina, picos de stress e etc. possamos alimentar um portal de conteúdo que esteja disponível não somente ao nosso médico mas também a todos os cientistas ligados ao ramo da saúde. Dessa maneira, nosso médico pode acompanhar e ter proatividade, prevenindo doenças não somente recuperando a nossa saúde (ou parte dela) depois da doença já acometida. Além disso, cientistas podem usar estes dados para desenvolver pesquisas e desenhar panoramas da saúde pública.

Perceba que não é algo que precise ser inventado, tudo que precisamos é de lançar mão de vestíveis como os da Nike(r) ou da Apple(r) por exemplo e claro.

Logística e produção industrial

Grandes players do mercado varejista no Brasil e nos demais países do mundo estão reinventando a forma como fazem negócios. Termos como supply chain, just in time e etc,  não são mais do que obrigação para os que pretendem manter-se saudáveis no mercado competitivo atual. Infelizmente isso não resolve todos os problemas como estoque mínimo, picos de venda, furtos e etc.

Agora imagine que exista através de conexões entre os rastreadores dos computadores, etiquetas de RFID nos produtos, webservices interconectando ERPs e CRMs e a sobretudo a colaboração entre os players, tornando o negócio B2B muito mais inteligente e online. Dessa maneira seria possível reduzir de maneira absurda os estoques de produtos, furtos de cargas, desperdício de matéria prima e o melhor dos mundos, otimizar a produção exatamente de acordo com a demanda do mercado consumidor. Perceba que novamente não foi necessário inventar nenhum recurso, somente interligar com inteligência estes que já estão disponíveis no mercado.

Produção agrícola

Já existem no mercado dispositivos que são submergidos total ou parcialmente no solo e que através de conexão bluetooth com dispositivos móveis permitem ao profissional agrícola ter informações vitais e confiáveis de como está a saúde do solo em questão e por consequência, a planta ou o seu futuro.

Segurança patrimonial

Novamente, lançando mão de recursos simples e já consumidos por empresas e residências, ter uma rede de informações de bairro ou segmento de negócio não é difícil. Imagine que as empresas de segurança patrimonial centralizem em seus servidores todos os sistemas pelos quais são responsáveis e, junto disso, combinem informações meteorológicas e notícias regionais bem como boletins policiais, por exemplo. Dessa maneira não seria difícil traçar perfis de incidentes e muito mais que remediá-los preveni-los.

Soluções residenciais

Além da famigerada geladeira inteligente, dispositivos como smart Tv, ar condicionado, câmeras de monitoramento, forno elétrico, portão eletrônico, babá eletrônica, iluminação e som podem se conectar à internet, consumindo a agenda dos seus donos, GPS de seus veículos e histórico de horários de maneira a proporcionar uma experiência de conforto única e personalizada.

Já existem algumas casas inteligentes sendo desenvolvidas ou pelo menos propostas em feiras por empresas como a Microsoft, assim como tudo neste segmento, tudo se torna artigo de luxo até o momento que passa a ser primeira necessidade ou pelo menos acessível às demais classes além da A.

Conclusão

A IoT nada mais é do que uma aplicação prática e pró-ativa de toda a tecnologia já disponível ao mercado. Ao passo que vamos confiando aos nossos gadgets tarefas simples, chatas ou repetitivas estes vão cada vez mais se desenvolvendo para oferecer-nos serviços de qualidade que nos economize tempo e satisfaça amplamente.

Assim, com a aplicação correta, o nosso cotidiano pode ser inundado de serviços prestados por máquinas, sem a necessidade da intervenção humana total ou parcial.

É claro que isso possui riscos. Assim como toda aplicação tecnológica no nosso cotidiano esta não seria exceção, no entanto, como não estamos falando de tecnologias novas ou ficção científica, os riscos também são conhecidos, medidos, qualificados e por consequência suas resoluções aplicáveis ou minimamente mitigáveis. Basta que o projeto seja desenvolvido com profissionais qualificados, com escopo correto, investimento correto e com consciência das métricas de valor desejáveis.

Por fim, a Internet das Coisas vem tomando o seu espaço silenciosamente, todos os dispositivos desenvolvidos para o mercado nos últimos anos são aproveitáveis para este fim e certamente não foi ao acaso. Em um futuro muito breve estaremos ainda mais assistidos por computadores, com assertividade, eficiência, rapidez e sim, segurança.

Se isso é bom ou ruim para os profissionais do ramo, este é assunto para um próximo post. Até lá.


Thiago Giovanella possui graduação em Bacharelado em Ciência da Computação pelo Centro Universitário do Sul de Minas (2010). Atualmente é gerente de tecnologia da informação – GF Auto Atacado Ltda, professor universitário horista do Centro Universitário do Sul de Minas, membro de núcleo docente estruturante da Faculdade Cenecista de Varginha e professor universitário horista da Faculdade Cenecista de Varginha. Tem experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase em Linguagens de Programação, atuando principalmente nos seguintes temas: rede, internet, computadores, software e java. MBA em gestão de Projetos

Lattes CNPQ

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