Os 4 (talvez 5) níveis da maturidade da TI. Qual é o seu?

Eu não sei predizer qual o setor, atividade financeira ou porte da empresa que você representa mas posso afirmar sem medo de errar que, se você frequentou alguma reunião, workshop, feira, ou qualquer que seja o motivo pelo qual pessoas com algum objetivo profissional em comum se reuniram, você ouviu alguém dizer que “não dá mais para conduzir as atividades sem a TI” ou ainda “a TI está apoiando as mudanças do setor”.

Que não dá para ser produtivo sem tecnologia ninguém tem dúvidas, ou pelo ninguém se atreve a enfrentar todas as demandas normativas e concorrenciais sem a ajuda da TI. Mas isso não significa que a TI está pronta para todos os desafios que a empresa pretende – ou deveria – submetê-la.

O fato é que, assim como em qualquer outro, também o setor de Tecnologia da Informação possui níveis de maturidade que determinam o grau de compreensão e envolvimento deste setor com os demais, bem como a estratégia e diferencial competitivo do seu empreendimento.

O mais comum é encontrar autores e especialistas que defendem 4 níveis diferentes de maturidade para o setor de tecnologia da informação mas também não é impossível encontrar empresas de consultoria ou outsourcing que promovem um quinto nível. Vejamos todos os 5 então.

Curva de maturidade de TI proposto pelos consultores da Ouellette & Associates
Disponível em: http://www.ouellette-online.com/blog/category/it-maturity-curve

O nível 1 – De caótico à reativo

O Nível um de maturidade de um setor de Tecnologia é o nível conhecido por alguns autores como caótico e por outros como reativos ou artesanal.

Este é um setor de TI muito comum em pequenas e médias empresas, principalmente do interior. Neste nível o setor de TI é visto simplesmente como um prestador de serviços básicos, no que toca equipamentos e suprimentos.

O setor de TI de nível um não compreende nem se envolve com os demais setores, conhece pouco do segmento de negócio que atua, não participa das tomadas de decisões nem é compreendido como fundamental para o desenrolar das atividades profissionais dos demais setores (exceto quando atola papel ou falta internet).

Nível 2 – A TI eficiente

Neste segundo nível a TI ainda é pouco envolvida nas tomadas de decisões e pouco participa dos diferenciais competitivos, mas já possui processos de execução das tarefas rotineiras bem definidos e difundidos.

Os processos e o papel da TI neste nível é bem compreendido, existe padrão na execução das tarefas e fornecimento dos serviços, os demais setores usufruem da eficiência da TI mas esta pouco interfere na rotina da empresa. Toda a demanda parte do lado de fora da TI, ou seja, os demais setores requisitam serviços e a TI os presta.

Este nível pode ser visto como bom o suficiente para a maioria das empresas mas é importante perceber que a TI não contribui com as decisões nem ajuda a escolher os melhores meios de se obter resultados. Ela faz bem o que é pedido para ser feito, ainda que a tarefa ou a forma como foi determinada não seja a melhor escolha.,

Nível 3 – A TI com autonomia e efetividade

No nível três da maturidade de TI, o setor de Tecnologia da Informação já é compreendido pela empresa como um setor que agrega diferencial e por este motivo a TI possui maior autonomia para escolher e priorizar os serviços que pretende prestar aos seus clientes internos e externos.

Neste ponto, é fundamental que o setor de TI compreenda todas as especificidades de cada parte que compõe a sua empresa e o seu negócio. No mundo ideal, a TI faz de forma correta a prestação dos serviços tidos como ideais para a excelência do trabalho dos demais setores e consequentemente da sua empresa ao mercado.

Uma TI de maturidade nível 3 é percebida como eficaz pelos demais setores, possui processos definidos e conta com seu próprio orçamento para que tenha a autonomia necessária para manter-se provendo os serviços que agregam diferencial ao negócio.

Nível 4 – A TI Estratégica

O setor de Tecnologia da Informação é estratégico para uma empresa quando este consegue, através da tecnologia, imprimir inovação ao seu negócio que comumente é percebido não só pelos demais setores como também por parceiros e clientes.

Neste ponto a TI promove mudanças em processos nos demais setores, imprimindo sua filosofia de trabalho e contribuindo com o aumento de produtividade e lucratividade da corporação como um todo.

A governança de TI é altamente alinhada com a governança corporativa, podendo existir inclusive uma diretoria de Tecnologia da Informação que se dedica a estudar alternativas e soluções tecnológicas para desafios e oportunidades ao negócio,

Nível 5 – A TI independente como negócio

Alguns especialistas compreendem um quinto nível de maturidade para o setor de tecnologia onde a TI se torna um negócio à parte podendo prestar serviços de forma exclusiva ou compartilhada com demais empresas do mercado.

Alguns empreendedores e administradores compreendem neste formato, ou ainda na terceirização, uma forma de melhorar os indicadores e o envolvimento do setor de TI já que este será regido por um contrato de nível de serviço podendo inclusive sofrer penalizações no descumprimento do que foi acordado.

Sem dúvidas este é um estágio que exige um alto nível de maturidade tanto da empresa contratante quando da empresa prestadora de serviço – no caso a TI – já que todos os processos, serviços e indicadores de desempenho precisam estar desenhados de forma a atender tanto a demanda do “cliente” quanto a capacidade do “prestador” sem que isso comprometa os processos ou se torne financeiramente inviável.

Maturidade de TI de 5 níveis proposto pela empresa HDI
Disponível em: https://www.thinkhdi.com/library/supportworld/2018/it-maturity-matters-because-it-matters.aspx

Concluindo

É evidente que nem todas as empresas estão preparadas para uma TI altamente estratégica mas nem por isso pode se dar ao luxo de negligenciar este setor e todo o potencial que ele carrega consigo.

Um setor de TI bem alinhado aos interesses do negócio pode trazer diferencial competitivo, redução de perdas e aumento na lucratividade para qualquer que seja o negócio independente do seu tamanho ou praça de atuação.

Também não podemos remover dos encarregados pelo setor de Tecnologia a responsabilidade de se envolver com a sua empresa e seus processos, estudar as demandas do seu negócio, compreender oportunidades e principalmente demonstrar valor à aqueles que lhe demandam serviços. Além de fazer direito, a TI precisa fazer o que é certo e demonstrar isso, caso contrário, será pra sempre o “setor de informática” ou “CPD” do seu negócio.

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